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Construindo a História de uma vida.

Em tempos de desesperança, precisamos continuar acreditando na nossa capacidade de transformar o mundo em que vivemos em um ambiente de paz.

O maravilhoso mundo da leitura.

By 05:03:00

      Lembro-me muito bem de uma coletânea de escritores famosos que se chamava “para gostar de ler” e eu lia todos que podia com avidez. Cresci em um ambiente favorável a leitura, mesmo não gostando quando escolhiam o livro que eu deveria ler. Meu pai chegava todos os dias pela manhã do serviço e trazia sempre os famosos bolsilivros do faroeste americano, espionagens ou ficção científica e eu gostava de todos, repetindo alguns cujas histórias pareciam-me mais interessantes. Cheguei a trabalhar em uma banca de jornal somente para ler tudo o que quisesse e acabei despedido por justa causa porque inúmeras vezes absorto na fantástica viagem proporcionada pela  leitura acabava deixando alguns clientes revoltados esperando por atendimento. Pena! Eles não compreendiam e não podiam esperar o desfecho da história para que eu pudesse voltar ao presente e atendê-los. Li jornais novos e velhos, fascinado pelas noticias de tantas partes do Brasil e do mundo, pulando sempre as noticias que falavam já naquele tempo de assaltos e mortes, acidentes no trânsito e derrota do meu time de futebol. Li fotonovelas e sofri as gozações daqueles que achavam ser essa uma leitura claramente feminina, mas meu colega trazia sempre um monte delas de onde trabalhava e minha paixão pela leitura não permitia que eu passasse um dia sem ler, mesmo que fosse uma bula de remédio.

      Hoje, continuo apaixonado pelo mundo da leitura e se tem algo irritante, em minha opinião, é ouvir alguém dizer não gostar de ler. Conversando com algumas pessoas percebi uma relação interessante entre essa afirmativa e a falta de estímulos verdadeiros para descoberta desse mundo maravilhoso, depois de encontrado nunca mais abandonado. Alguns professores bem intencionados dessa necessidade de proporcionar o contato com o mundo da leitura “mandam” ler determinados livros em momentos não oportunos e quando deveria ser um despertar para formação de novos leitores acaba somente comprovando para os alunos menos afeitos a leitura e envolvidos na tarefa, ser de fato uma chatice. Lembro bem quando tive que ler “Machado de Assis” na quinta serie, ter gastado um bom tempo e parado no meio por não estar entendendo nada. Depois com o tempo e amadurecimento como leitor fui perceber o prazer de desfrutar da capacidade ilimitada “INERENTE” de um dos maiores escritores do Brasil. Ler não se aprende na obrigação de ler, nada pior do que a leitura forçada, mas indiscutivelmente necessária em determinadas situações, que não proporcionam o prazer comum na leitura. Enquanto escrevia recebi de presente da professora e amiga Fatinha, o livro La Luz Eterna de Juan Pablo ll,Hombre de Dios,Santo de nuestros dias.Com certeza nunca ninguém citou um presente em um texto de fundamentação teórica de um projeto, sempre deve  haver uma primeira vez e eu não perderia a chance de deixar registrada o melhor presente recebido varias vezes em minha vida, um livro. Muito  melhor que os carrinhos e pipas, competindo ponto a ponto com a bola de futebol, paixão de quase todo menino sonhando um dia ser jogador de futebol. Segundo Augusto Cury, quase dez milhões de exemplares vendidos nesta década no país, os jovens precisam ler mais, não somente livros, importantes para formação do ser humano, mas a necessidade de também ter convicção da importância da imprensa escrita. Em relação aos jornais mostra claramente sua preocupação “Estou particularmente preocupado com o futuro dos jornais. Em muitas nações, ele tem perdido espaço na era da internet. Alguns talvez não sobrevivam, o que poderá trazer graves consequências. A necessidade de novos leitores é vital.” Novos leitores realmente são vitais para uma nova sociedade, onde a criatividade possa florescer cotidianamente, abrindo novos horizontes para tantos hoje perdidos nas sombras do desconhecimento, importante  conhecer novas realidades para entender-se como ser único e inimitável, mas responsável em sua individualidade com toda a comunidade onde está inserido. Em relação a esse conhecimento  que a leitura proporciona aos que dela se aproxima, vale novamente lembrar Augusto Cury quando diz que ”o conhecimento é a única ferramenta que nos retira da condição de servos do sistema social e nos torna autores da História, pelo menos da nossa Historia.” E quanto são bonitas as histórias consagradas pela literatura mundial e Nacional, distantes de muitos pelas dificuldades de contato com esses primores da sabedoria Humana, responsáveis por inesgotáveis mananciais de conhecimento necessários tanto quanto o alimento do corpo, para povoar a mente de atitudes fortalecedoras de uma realidade mais fraterna, reconhecendo no outro os mesmos anseios de encontro com a felicidade. Nós, conscientes da importância da leitura somos responsáveis a despertar esse desejo em todos sem distinção, crianças, adolescentes, jovens e adultos, tirando do vermelho a situação de nosso país próximo ainda de suas origens baseada na exploração de muitos sob o domínio de poucos, interessados em manter essa situação de exclusão social, econômica e política, pouco se faz de concreto para extirpar de vez a barreira criada pelo analfabetismo. Quando digo que pouco se faz digo indiretamente ou diretamente talvez em um mínimo feito, graças aos esforços dos que acreditam  em espalhar as sementes geradoras de novos leitores apaixonados pelo mundo das letras. No ano de 2003 foram distribuídos milhares de livros nas escolas pelo Brasil, O projeto literatura em minha casa foi um sucesso e seria ainda melhor se muitos livros não enfeitassem estantes nas escolas e fossem realmente visitar a casa dos alunos sem pressa nenhuma de voltar para escola, na apresentação presente na capa dos livros a principal intenção do  projeto. “o mundo parece ser feito apenas de coisas que a gente vê nele. Mas há outras que não vemos, embora existam. São as coisas que lemos. Elas estão escondidas no meio das letras. É preciso ler para que elas apareçam diretamente em nossa cabeças.

    Se não lemos, todas estas coisas que estão guardadas nos livros não aparecem para nos. Quem não lê, só vê uma parte das coisas do mundo. “E não consegue conhecer tudo.”

     Deixando de lado a pretensão saudável, mas um tanto quanto ilusória de conhecer tudo, buscar conhecer no mínimo um pouco mais distante dos atuais limites, avançando para águas mais profundas do conhecimento. Quando cito um ambiente rico em proporcionar situações agradáveis de contato com o mundo da leitura, onde fica muito fácil o surgimento de novos leitores, existem situações totalmente contraditórias onde o contato com a leitura é reduzidíssimo. Para muitas pessoas o hábito de ler é coisa para gente sem serviço. Meu tio sempre dizia que eu não trabalhava porque ficava o dia inteiro com um livro debaixo do braço. Lógico estar nessa afirmativa um exagero, certamente ele nunca leu um bom livro. ”o homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler. Mark Twain. E muito mais critico e nos levando a uma reflexão profunda sobre esse distanciamento da leitura o pensamento de Mario Quintana quando diz que: “os verdadeiros analfabetos foram os que aprenderam a ler e não leem “,Não leem por que? Lembramos maneiras diferentes de encontrar-se com o mundo diferente e fantástico da leitura, quantas pessoas que gostariam de ter essa oportunidade  roubada por preconceitos como no caso da estudante da EJA que lembra um passado onde esse contato não foi permitido “No meu tempo mulher não podia estudar. Meu pai dizia que mulher é para ficar em casa limpando ,lavando, cozinhando, cuidando de menino e de esposo. Mas agora eu quero tentar. Zefrina,58 anos .”Outros ficaram afastados da escola pelas condições de moradia e a necessidade de trabalho e qualificação para exercê-lo  despertam a vontade de voltar a estudar  “Onde eu morava, na roça, não tinha escola perto e eu não estudei ,vim para São Paulo trabalhar em casa de família para poder comer, dormir e mandar dinheiro para meus pais e meus irmãos. “Preciso poder estudar para anotar os recados de telefone, ler os bilhetes que a minha patroa deixa e poder ler uma receita, Maria 35 anos”. Muitos são despertados por diferentes motivos e necessidades, sempre havendo de certa forma uma luz para apontar o caminho e dar outras possibilidades a caminhada. Se percebemos que para leitura deve haver um primeiro passo, um ambiente familiar propenso e estimulante ou professores incentivadores e leitores é claro ,porque ninguém incentiva a fazer o que não faz, condições que despertem por necessidade ou prazer. ouvir historias mesmo quando ainda não dominamos a leitura e principalmente quando nos apossamos dessa dádiva ,é fundamental para levar os que não sabem a buscar com maior alegria essa descoberta das letras e sonhos, e para aqueles que já desfrutam desse saber, colocar em pratica e diminuir as estatísticas dos analfabetos funcionais. No projeto literatura em minha casa, Marisa Lajolo diz o seguinte ”Você já ouviu dizer que quem conta um conto aumenta um ponto? Eu já ouvi e concordo que as histórias sempre sofrem modificações quando são contados por diferentes pessoas. concordo com a ideia , mas acho que não é apenas quem conta um conto que aumenta um ponto. Quem lê e quem ouve um conto também aumenta um ponto. você sabe porque penso assim? Porque um conto não acaba no ponto final. No ponto final acaba a leitura ,mas não acaba a história .A história dura muito mais, às vezes a vida inteira. A história fica rondando na cabeça de quem lê ou escuta ,lembrando a gente de coisas que a gente já viveu, de pessoas que a gente conhece, de situações pelas quais a gente já passou .Por isso histórias são tão importantes. Histórias são muito importantes na vida das pessoas e na vida dos povos.”

    O deputado federal e escritor Durval Ângelo, tem uma visão muito especial do contar histórias. ”Que mistério, que encantamento especial carrega as estórias, tanto para as crianças quanto para os adultos? Talvez seja porque elas alimentam sonhos, criam asas na imaginação. Ajudam a romper a barreira do chamado mundo real, acalentando o desejo de outro mundo mais feliz, onde a harmonia, o justo, o bom e o fraterno se encontram no final...As estórias são contadas e recontadas ,não são de ninguém. São propriedade coletiva, propriedade cultural de um povo e patrimônio simbólico de homens e mulheres que carregam ainda uma alma de criança, que não perderam a capacidade de sonhar.”

    Para fundamentar teoricamente o projeto, reconheço não ter conhecimento bastante dos grandes nomes do momento, mas lembrei do muito que li e gostaria que outros tivessem acesso e o prazer deste contato. Projetos como a literatura em minha casa oportunizou o contato com uma infinidade de autores famosos de nossa literatura mundial. Ler as maravilhas de Malba Tahan levou-me a conhecer a beleza de uma cultura diferente, desconhecida por     tantos outros. Augusto Cury acordou-me para a emoção e necessidade de uma sociedade mais humana. Tantos outros foram importantes ...Lembro de minha tia Inacinha que fritava uma bacia de bolinhos de polvilho e quando nos sentávamos ao seu redor ela vinha com a frase mágica ”Vou te contar uma história” e eu viajava nas asas  do pavão misterioso e ria das travessuras do saci. Meu pai, igual o Roberto Carlos, mestre em contar histórias despertou em mim a vontade de conhecer outras e outras histórias sem nunca esquecer as da minha infância, combustível até hoje em manter o brilho nos olhos e a esperança no coração. Desejo maior que esse brilho no olhar possa iluminar outros olhares e essa corrente de amantes das palavras possa crescer sempre, construindo novos sonhos, transformando vidas.

Não tire o livro desse menino

Um livro é arma de verdade.

Vive alimentando sonhos

Sonhos mudam a realidade.

Deixe as sementes virarem frutos

De esperança e liberdade. José Márcio

 




   
   






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