Ronaldinho gaúcho, fazendo refletir.
Todos os jornais anunciam hoje o fim
da historia Ronaldinho gaúcho e Fluminense. a maioria dos comentários expressam
fato presente na sociedade atual preocupante e repleto de um pessimismo, graças a Deus, não
presente em todos os brasileiros. A frase
mais repetida é “não falei que não ia dar certo?” o que não deu certo? Sou
tricolor de coração! Aprendi a torcer pelo fluminense ainda criança,
acompanhando os jogos pelo radio, ouvindo não apenas uma partida de futebol, mas
uma historia contada com arte e brilho por mestres que alimentavam o sonho e
despertavam a emoção.
Fiquei muito feliz em ver o Ronaldinho
com a camisa do tricolor das laranjeiras. Não vou julgá-lo pelo que fez nestes últimos
meses porque não seria justo. Vou lembrar-me dessa passagem como um presente de
alguém que brilhou pelos gramados do mundo inteiro e tem uma historia marcada
pela alegria maior do futebol, gols maravilhosos e passes e dribles inacreditáveis.
Por que a reflexão? Achamos que somos juízes com direitos sobrenaturais e
gostamos de apontar o dedo para as pessoas, principalmente nos piores momentos,
para mostrar desumanamente somente seus defeitos e o que infelizmente não deu
certo. Esquecemos que uma historia de vida não e um momento apenas, mas o
contexto final de quedas e lagrimas, vitorias e sorrisos.
O futebol atual é o retrato de uma
sociedade onde muitos querem vencer a todo custo não se importando se a vitoria
signifique a completa aniquilação do outro. Se der dinheiro para os bolsos que parecem não
encher nunca, tudo bem. Comentaristas de esporte que em seus programas brincam “e
eu quero acreditar que isso é uma brincadeira, mesmo de mau gosto” ser muito
bom que o jogador adversário quebre uma perna, para facilitar a vitoria do time
por quem esta torcendo. Ainda bem que alguns ainda comentam futebol de forma
coerente e inteligente, o Junior por exemplo.
Futebol! Futebol? Maquina de fazer milionários
e frustrar sonhos. Saudade de um tempo onde torcedor de um time do coração não
ficava marcando brigas para depois dos jogos. Nos Fla x Flu da minha infância e
juventude a preocupação era quem eu iria sacanear ou quem iria rir as minhas
custas ao final do jogo. Tudo numa boa! Era diferente ganhar do flamengo e
gritar super Ézio, Assis, Washington... Ou nas derrotas reconhecer que eles tinham um time
muito bom. O Zico foi um pesadelo naqueles tempos e longe de formar ódio mortal
e torcer “ igual certos comentários” para que ele quebrasse uma perna,era
bonito vê-lo em campo, mesmo torcendo para que não fizesse gols contra a gente.
O dia que eu vi um flamenguista chamá-lo de burro em um período ruim do clube,
percebi o quanto é triste o desconhecimento da historia, grande parte dos
torcedores do flamengo “ nasceram” naquela era Zico. Eu, adversário pela minha paixão
tricolor respeitava e considero ainda o Zico como um dos maiores do
futebol mundial, pela arte nos campos e formação humana sempre demonstrada. O mesmo
aconteceu com o Roberto dinamite no Vasco, outro grande representante do
futebol brasileiro e mundial que marcou época e fez um dos gols mais bonitos
que tive a felicidade de presenciar.
Quem esta lendo deve pensar que fugi do assunto...
Não! Disse que o fim do contrato do Ronaldinho com o Fluminense, e os comentários que julgam apenas este momento, nos faz
refletir sobre como é curta a memória de uma sociedade e como sempre é mais fácil
apontar erros do que valorizar o que as pessoas fizeram e fazem de bom em suas profissões
e como isso reflete na vida de todos nos,passado, presente e futuro. Quem
acertou nove e errou uma, vira réu. O que errou uma vida inteira e faz uma
ultima ação correta, vira santo. A história esta recheada destes exemplos na política,
musica... E parece que a moda continua. Boa sorte Ronaldinho, por onde forem
seus passos. Foi uma honra vê-lo com a camisa tricolor. Você não veio fazer
historia, trouxe uma historia pronta e vencedora e apenas acrescenta mais um
capítulo, e esse capitulo não pode e nem será o principal de todo o enredo.
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