reflexão canina
Morreu sozinho e certamente triste
Porque sofrimento maior não existe.
Do que partir desta vida na solidão.
Viveu muito e pouco ao mesmo tempo
Não deixou herdeiros no silêncio,
Somente um vazio no coração.
Cresceu fazendo festa e algazarra
Correr sem direção certa, uma farra
Completa de alegria.
Partiu na noite escura e chuvosa
Coberto por uma sombra pavorosa
De sua vida uma indiscreta ironia.
Não vai correr pela rua alegremente
Sua falta com certeza alguém sente,
E o tempo fará jus de sua história.
Desde pequeno enfeitou com voz possante
Cortando o ar e quebrando a rotina do instante,
Em que gravava imagens na minha memória.
Cresceu e ganhou longe de um prêmio merecido,
Um lar distante e escondido,
Perdido lá no fundo do quintal.
Partiu e deixa bem no fundo de um peito,
A constatação de nosso humano defeito,
Quem é no fundo o animal?
Da responsabilidade eu não fujo
Reflito, reconheço e te digo.
Eu no fundo sinto-me cachorro
Enquanto ele foi sempre um verdadeiro amigo.
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