ELE...
Saiu
cambaleando do bar, este fechava as portas, as horas iam avançadas e lua a muito havia desaparecido do céu. A
rua completamente vazia, a não serem, alguns vira-latas esqueléticos,
verdadeiros fantasmas noturnos. Ele com a cabeça em torvelinho, o álcool
ingerido fora suficiente para derrubar um supeman , o que não faria a um
vagabundo?
Ele? Por
quê? Porque mesmo tendo nome ninguém sabia. Onde nasceu? Tinha parentes? Se existiam a muito o haviam
esquecido, só, neste mundão de Deus. Bem, somente sei ”e isso todos sabiam “ele
sempre saía do bar por àquelas horas, trôpego, passos vacilantes de verdade, ia
rumo a sua casa ” se casa tivesse” ninguém nunca ousou perguntar. Afinal de
contas, qual o interesse por aquele homem magro, barbas compridas, olhar
profundo e triste, passos incertos... Quem queria saber? Ninguém.
Ele andou,
andou, andou... Suas pernas tremeram, ele ajoelhou no chão frio... Parecia
rezar! Ficou alguns instantes nesta posição, apenas segundos, mas pareceram ser
uma eternidade, depois foi se deitando vagarosamente no chão duro e sujo...ali
ficou. A noite foi sua companheira e os cachorros seus amigos no ultimo sono. Eram
parecidos, donos da noite, segredos e mistérios da escuridão. Esta também foi
uma das testemunhas da morte de um homem... Morreu! Morreu? Será que algum dia ele de fato viveu? Ele,
igual a tantos outros possuem a triste sorte de morrer sem nunca terem existido
para a vida.
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